domingo, 15 de março de 2020

De 'superdimensionado' a risco dentro do Planalto, como Bolsonaro teve que mudar postura sobre coronavírus

Poucos dias depois de ter dito que a questão do coronavírus "não é isso tudo que a grande mídia propaga" na última terça-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro teve que mudar sua postura diante do avanço da doença no Brasil e da adoção de medidas radicais por outros países, com os Estados Unidos, que suspendeu milhares de voos com a Europa.

Na noite de quinta-feira (12), o presidente fez pronunciamento em rede nacional de televisão para desestimular protestos em seu apoio previstos para este domingo em todo o país — atos que ele mesmo havia incentivado nas últimas semanas. O pedido foi feito também em transmissão ao vivo na sua conta de Facebook,
em que o presidente e o ministro da Saúde, Luiz Mandetta, apareceram usando máscaras cirúrgicas.
O procedimento foi adotado porque havia suspeita de que Bolsonaro teria contraído coronavírus durante viagem aos Estados Unidos, o que foi descartado nesta sexta-feira após o teste para a nova doença dar negativo.
Embora o presidente não esteja com coronavírus, a preocupação com o impacto da doença sobre o sistema de saúde e a economia do país cresceu e elevou a pressão sobre seu governo para anunciar medidas preventivas e de redução de danos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu na sexta-feira anunciar ações emergenciais em até 48 horas, depois de ser publicamente cobrado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Por enquanto, o governo anunciou que "os bancos públicos atuarão com R$ 75 bilhões no combate ao coronavírus", após reunião na sexta-feira de diversos ministros, incluindo Guedes, Mandetta, Braga Netto (Casa Civil), Sérgio Moro (Justiça), Jorge Oliveira (Secretaria Geral) e Onyx Lorenzoni (Cidadania). Segundo o porta-voz da Presidência da República, General Otávio Rêgo Barros, "tal recurso será usado para crédito agrícola, capital de giro e crédito consignado".
Na noite de sexta-feira, também foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial uma Medida Provisória (MP) da presidência que abre crédito extraordinário de cerca de R$ 5 bilhões em favor dos ministérios da Saúde e Educação para o enfrentamento ao coronavírus. Sendo uma MP, a matéria entra em vigor no momento da publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias — caso contrário, perde a validade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

Venha fazer parte da campanha solidária e ajude as famílias que mais necessita da sua doação